Programar Custou Minha Sanidade - E Isso Mudou Tudo
Cafézinho Gourmet? Só que não
Muitos veem a vida de um desenvolvedor como algo glamoroso, repleto de café gourmet, cervejinha de graça, escritórios modernos e uma rotina leve.
Eu pensava exatamente assim quando comecei em uma grande empresa, onde tudo parecia um sonho realizado. Era jovem, cheio de energia e, claro, ingênuo. Pegava todos os projetos que apareciam, prometia prazos impossíveis e virava noites como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.
Com o tempo, tudo isso começou a se transformar. As urgências se multiplicavam, os prazos ficavam cada vez mais curtos e os desafios mais absurdos. Fui me tornando o cara das emergências, aquele que nunca diz "não", que sempre está lá para resolver tudo. Não percebi que lentamente estava cavando minha própria cova.
Mas o ponto de virada veio com um projeto específico. Algo que mudou tudo. Madrugadas sem fim, pressão insuportável, e uma equipe em pedaços tentando fazer milagres. A cada dia que passava, era mais difícil levantar da cama, e quando finalmente entregávamos algo, a sensação de alívio era substituída por mais cobranças. Eu não queria admitir, mas estava me quebrando.
Houve um momento que simplesmente não consegui continuar. A sensação de esgotamento foi tanta que o burnout me pegou com tudo. E foi ali que percebi que precisava mudar. Mudar minha relação com o trabalho, minhas expectativas e, mais importante, a forma como eu lidava com minha própria saúde.
E é aqui que chega um ponto que é difícil colocar em palavras... Bem, não dava para descrever tudo isso apenas escrevendo, por isso me arrisquei a criar um vídeo contando essa história. Se você se identificou com um pouco do que eu compartilhei aqui, dá uma olhada — pode ser que você encontre algo útil para sua própria jornada.
Assista ao vídeo completo aqui e espero que isso te inspire a não cometer os mesmos erros que eu.
Justamente ontem entrevistei um candidato a tech lead pra minha equipe. Dentre todas as perguntas, eu fiz a seguinte:
Digamos que você esteja liderando um time composto por pessoas novas na empresa, contendo apenas 1 sênior. Qual estratégia para liderar as entregas você aplicaria no dia a dia? O quê acha importante estar atento a todo momento? Como você organizaria o board e as responsabilidades de cada um? Como você garante o crescimento profissional da sua equipe?
Enquanto respondia, ele acabou dizendo:
"Foco em entregar complexidade pra quem tem mais tempo de casa e garanto que os menos experientes sempre estejam em pair coding com eles. Meu foco vai ser treinar os menos experientes e garantir que tenham evoluído no final do projeto. Se preciso, abdico de atender um prazo de entrega pra garantir que o conhecimento e as regras de negócio tenham se diluído entre os membros."
Esse foi um dos pontos fortes da entrevista.
Um bom gestor lidera o time, não usa eles de muleta pro próprio crescimento. Você provavelmente não teve bons gestores que estiveram com você para dizer que virar noites pra cumprir prazos impossíveis não é certo. Isso só trás prejuízo pra equipe. Isso faz, por exemplo, com que a empresa não queira contratar mais gente ou negociar prazo flexível mesmo com o time sobrecarregado porque eles sempre estão dando conta do recado.
Acho que em qualquer área, o objetivo profissional de cada um, principalmente no começo, tem que ser o mesmo: se tornar um profissional tão competente e centrado que ele não precisa abaixar a cabeça pra tudo o que a empresa disser. A lógica do mercado é: eu consigo encontrar outro que nem você fácil? Então faz o que eu mando ou te demito. Nossa missão é inverter essa lógica. Siga sempre estudando e aprendendo para se tornar uma pessoa com pensamento crítico e que gera valor pra empresa, assim você naturalmente ganha moral dentro do ambiente de trabalho.
Falando especificamente sobre desenvolvimento, acho que minha única dica nesse sentido é evitar ao máximo um dos pontos que você disse: "ir pra uma startup e trabalhar com frameworks hipsters". Vou chover um pouco no molhado, mas:
- Não seja o dev de framework, estude programação e entenda os fundamentos. Com o tempo você percebe como linguagens/frameworks são só ferramentas diferentes pra problemas diferentes, mas a base é sempre a mesma.
- Não se limite apenas aos processos da empresa onde você está e não tenha como referência apenas as pessoas com quem trabalha. Esteja sempre acompanhando profissionais de referência para se manter atualizado sobre as tecnologias que usa, aumentar seu repertório de soluções e conhecer diferentes práticas que sua empresa não aplica.
Os tempos mudaram. Não estamos mais na época onde funcionário é serviçal e tem que viver pela empresa. Todo funcionário está de passagem pelas empresas e a estadia dele lá deve ter um objetivo bem claro: servir de escada para que ele evolua. Se a empresa não te proporciona isso, saia. É claro, esse é o cenário ideal. Desnecessário dizer que antes de tudo vêm as contas pra pagar e a dificuldade de encontrar vagas (quem dirá vagas boas). Mas o que podemos fazer é tentar sempre que podemos nos dar esse luxo. Apenas não fique confortável demais.
Já comecei a assistir o vídeo e me inscrevi no canal. Muito boa sua palavra porque alerta a todos que estão hoje começando algo e podem estar no mesmo caminho. É um alerta e ao mesmo tempo um caminho para mudar os rumos da carreira. Eu mesmo já curti alguns burnouts em 33 anos como dev, líder e gestor técnico. Por isso, ouso imaginar como deve ter sido. Obrigado pela coragem de compartilhar.
Programar só custou minha sanidade mental mesmo. Ficar sentado o dia todo em frente ao pc por mais de 8 hrs diárias se tornou deprimente. Nunca pensei que eu poderia ser rico ou viver de luxo em uma área como essa.
Força parceiro, não desista. Esta empresa está sugando tudo de você, talvez seja o momento de vc dar um tempo. Tirar férias, um ano sabático, trabalhar por conta própria, mudar de empresa ou colocar limites a esta empresa onde está. Qualquer caminho que siga, desde que com convicção, será sucesso
Cara acho que não falei da minha história ainda mas, vamos lá.
- Queria no começo ser um diretor de uma grande multinacional e isso quase me destruiu.
- Depois quis ir pra uma startup e trabalhar com frameworks hipsters e ficar milionário, só ilusão e stress.
- Quis trabalhar numa empresa estável e que cumpre bem os processos, outro burnout.
- Hoje trabalho por conta ganho pouco mas, sou feliz no que eu faço, talvez seja interessante dar uma repensada no que você quer trabalhar.
A "era das startups" da década passada foi uma verdadeira maldição!
A ideia do "emprego perfeito", corroborada por "ingenier" de alguma FAANG que ganhava $200k/ano pra ficar bebendo cafezinho, jogando sinuca e trabalhando nas horas vagas enganou muita gente.
Coloquem algo na cabeca: se trabalho fosse prazeroso, ninguém te pagava pra fazer.
Trabalhe, dê seu maximo, pegue seu dinheiro e cuide da sua saude fisica e mental. Alias, esses dois ultimos quesitos sao determinantes para largar ou permanecer em algum emprego.